sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Vinícius (Brasil - 2005)
Direção: Miguel Faria Jr.
Independentemente de as canções e os poemas serem de qualidade indiscutível [ainda que eu não goste de poema declamado (as poesias declamadas 'tavam tão chatas que os próprios produtores desencanaram e, em certa parte do filme, simplesmente desaparecem), e a maioria das músicas é interpretada por ilustres desconhecidos], acho que falta um pouco de ritmo... tá certo que bossa-nova é algo já meio sem ritmo, e a época em que a maioria das história se passa também não era nenhum primor de acontecimentos velozes. Mas, ainda assim, achei o filme cansativo, com uma história legal aqui e ali (e o final é genial).
Sem falar que, ideologicamente falando, o filme é bastante discutível. Afinal, é o tempo todo aquele papo de celebração dos amores, de paixão pela vida, de curtição, boemia. Tá, é tudo muito lindo, mas o cara era rico, vinha de família abastada, e ainda descolou um emprego de diplomata. Assim é fácil, né.
Sem falar que ele trocava de mulher que nem de cueca, abandonava as esposas, deixava faltar até comida em casa, enquanto torrava a grana em putaria e cachaça. Não me parece exemplo de nada, a não ser de um pré-Cazuza, um pré-Raul, da estirpe de rebeldes sem causa, cada um à sua maneira.
Niilismo-hedonismo (dá pra conciliar isso?) com o bolso cheio de dólar é fácil. E os amigos ainda contam tudo como se fosse glorioso e exemplar. Mas as pistas para o fiasco estão nos depoimentos ressentidos das filhas, vale prestar atenção.
Há também parentesco com Chico Buarque, sabem? Esse negócio de playboy metido a malandro, que nunca subiu o morro de verdade. Por mais que a obra fique boa, soa caricata, como personagens inventados nos quais eles mesmos acreditaram. Essa negação superficial das raízes aristocráticas (não vai trampar, fica comendo a graninha, mas posando de outsider) é tão ingênua...
Em contraponto, há o exemplo do Caetano, que aparece no filme. Vejam só: ele nunca escondeu que é culto, até elitista, que veio de boa família, tem um bom background cultural, etc.
Mas vale dar uma conferida, até porque tem Chico, Edu Lobo, Caê, Gil, Toquinho.
Sem Destino (EUA - 1969)
Título original: Easy Rider
Direção: Denis Hopper
Elenco: Denis Hopper, Peter Fonda, Jack Nicholson
Prêmios: Melhor Diretor Estreante em Cannes
Não vou me alongar muito, pois é só um comentário cinéfilo, e não uma análise sociológica. É só uma introdução para evitar possíveis visões anacrônicas sobre o filme.
Final da década de 1960. Contracultura, protestos políticos, sexo + drogas + rock, etc. Hoje isso pode parecer vazio, distante; afinal a industria cultural (Theodor Adorno falou, Theodor Adorno avisou), de lá pra cá, vem absorvendo tudo que surge mais ou menos espontaneamente, processando e devolvendo como produto de massa, de forma pasteurizada.
Portanto deve-se contextualizar o filme ao vê-lo; para quem não está acostumado aos filmes dessa época, o paradoxo entre realismo extremo e delírios lisérgicos pode parecer monótono ou banal.
Vamos ao filme: Peter Fonda e Denis Hopper compram cocaína de um mexicano (com direito a um rápido “teco”, revendem pelo triplo do preço para um americano e, com o dinheiro, trocam as motos velhas por duas Harley-Davidson e saem sem rumo pela estrada. Sim, e tudo isso antes de aparecerem os créditos! Cocaína, motos, tráfico... Peter Fonda joga o relógio no chão e eles saem pela estrada. Começa a tocar Born To Be Wild, do Steppenwolf, e você lembra de como a música era legal antes de encher o saco por causas das bandas cover de rock clássico.
O filme corre lentamente, tão sem destino quanto o título em português do filme. Entre belas imagens estradeiras e canções de Hendrix, Dylan e Byrds, os dois motoqueiros cruzam cidades e mais cidades em busca de liberdade. Eles cheiram, fumam, trepam, divagam, conhecem comunidades hippies, bebem.
Sempre à margem da sociedade, que lhes nega abrigo, refeições, que os maltrata e ofende. A liberdade é ofensiva, como diz Jack Nicholson, em ótima aparição como um advogado que larga tudo para se juntar aos viajantes. As pessoas não gostam de ver seus semelhantes livres. Não há lugar para isso no mundo. Não havia e não há. Haverá um dia?
Como bom filme da época, é tudo seco, duro, na veia. Não faz apologia a nada, nem condena qualquer comportamento. Simplesmente mostra uma face que o mundo insiste em negar. E o final, árido, não deixa esperanças nem oferece alternativas.
Obrigatório, faz jus à fama de clássico.
O Exorcista (EUA - 1973)
Título original: The Exorcist
Direção: William Friedkin
Elenco: Ellen Burstyn, Max von Sydow, Jason Miller, Lee J. Cobb
Prêmios: Oscars de roteiro adaptado e som
O Exorcista, baseado no best-seller de William Peter Blaty (que aliás, participa da produção do filme) e dirigido pelo então diretor-sensação William Friedkin (pela estréia oscarizada com o ótimo Conexão França), sempre foi um filme que me intrigou, despertando um legítimo interesse de desvendar o porquê daquela atração, desde a primeira vez em que o vi, quando criança, numa noite qualquer do SBT.
Evidentemente que, àquela época – eu devia ter, sei lá, uns 10-12 anos, em pré-adolescência de franco interesse por filmes de terror – eu não precisava de motivações mais fundamentadas do que o simples trinômio sustos-podreira-satanismo para conferir aquela película.
Cresci lendo, entre tantas outras coisas, a coleção inteira de Kripta (quem não conhece, corra atrás logo disso ou morra); portanto estava razoavelmente familiarizado com os meandros daquele estilo.
Porém, àquela primeira sessão, da qual lembro bem, sentado no sofá, tenso e ansioso, numa noite de meio de semana, sozinho, fui dormir um tanto decepcionado.
Sabe-se (pelo menos eu sei) que o segredo para o terror bem-sucedido é a verossimilhança: não acontece isso, não aconteceu, mas poderia ocorrer, pode existir, é plausível.
Portanto eu ficava com muito mais medo e receio (e as conversas com os colegas, igualmente amedrontados, na escola à segunda-feira seguinte) das matérias sobre exorcismo e satanismo do Fantástico, pois tinham a aura de realidade (embora eu saiba hoje que é tudo igualmente fajuto e sem fundamento, mas só hoje).
Pareceu-me um paradoxo: ao mesmo tempo a história era um tanto corrida (Iraque, profanação da igreja, padre triste, Satanás, exorcismo), sem muita ligação aparente, era tudo muito lento. Para quem não é profissional do terror, e/ou não tem maturidade suficiente no estilo, a história precisa de sustos e reviravoltas. E ali não havia cortes rápidos, nem música tensa de violinos, nada: apenas o ritmo lento dos filmes setentistas, tudo em close, explícito.
Tentei ler o livro, que há aqui em casa, e achei tudo muito obsceno: lia, não lia, tinha nojo, tinha excitação. Devo ter visto o filme em mais uma reprise, mas não me recordo.
Porém em 2000, quando ele estreou novamente nos cinemas, revisto, ampliado, remasterizado, etc., tive outra percepção. Já adulto, com 20 anos nas costas e tantos filmes visto, livros lidos e coisas vividas, pude compreender, na última sessão, à meia-noite de uma noite fria e nevoenta (verdade!) o impacto fascinante daquela obra.
Ainda que não obtivesse a resposta, a chave da compreensão definitiva, pude sentir, em meio à escuridão silenciosa, uma fagulha do impacto que O Exorcista deve ter causado quando da estréia.
Nunca antes, e nem depois, houve um filme tão aterrorizante, chocante, afrontador e desolador.
Ali eu já compreendia, havia muito, que sustos e reviravoltas com música alta são para suspensezinhos adolescentes moralistas com mulheres peitudas à la subprodutos de Sexta-Feira 13 e Pânico.
Terror de verdade – e isso eu aprendera com Os Pássaros, A Profecia, O Bebê De Rosemary, O Iluminado e Poltergeist, entre outros imortais – tem que ser duro como um bloco de concreto, sem concessões. Ritmo lento, de modo a deixa-lo tenso, preocupado, músculos enrijecidos na cadeira.
E o principal: além da plausibilidade (incluindo verossimilhança e personagens consistentes, aos quais possamos nos apegar e identificar), o segredo é o desalento, a sensação de que aquilo pode acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar, de qualquer forma. A revelação, o lembrete sutil de que o mal existe e pode assumir variadas formas, e estamos sempre à mercê, de tão frágeis e desesperados que somos. Filmes para ficar pensando dias e dias.
Desde aquela noite, devo ter lido o livro mais uma vez e assistido ao filme mais umas quatro vezes, no mínimo, em ocasiões diversas (creio que todas com minha namorada). E é nítido e cristalino, para mim, que, a despeito das propagandas, e da condução do próprio romance original, o filme não é sobre o Demônio (seja Satã ou Pazuzu), sobre o exorcista ou sobre a vida em família: esses ingredientes complementam a trama, mas o cerne da questão é o padre Damien Karras.
Com uma inigualável expressão apreensiva o filme todo, ele parece carregar a vida como um fardo: entre cigarros e cervejas, caminha solitário pelas ruas claras e escuras.
Um ordinário mendigo pedindo esmola jocosamente, dizendo-se ex-coroinha, já desperta em Karras a sensação de quão tênue é a linha entre a virtude e o fracasso.
Ressentido pelo caminho escolhido, o padre (boxeador na juventude e psiquiatra por profissão) contesta tanto a própria vocação quanto o sentido da vida e a existência da felicidade.
Além disso, é atormentado por não conseguir sustentar a mãe doente com o voto de pobreza eclesiástico, e a deixa entre pardieiros na periferia e hospitais de quinta categoria, até que a pobre velha pobre morre.
Karras, amargurado, procura refúgio na razão: nega a presença satânica até os últimos momentos, procurando sempre o caminho psiquiátrico e investigativo. Triste, fragilizado e só, é um alvo fácil para as provações da vida e para as sarcásticas armadilhas que o Mal (não uma entidade, mas o constante revés inerente ao nosso viver) lhe impõe.
Quanto ao horror explícito, o qual ainda é impactante, pode-se dizer que, além de ser um divisor de águas (primeiro filme gore), é perturbador, extremamente perturbador. Quanto mais assisto, mais me impressiono, se não pelas blasfêmias e gosmas, pela angústia e sensação de impotência, de desamparo, a que o filme nos leva.
Turistas (EUA - 2006)
Título original: Touristas (mesmo)
Direção: John Stockwell
Elenco: cri.. cri... cri...
Eu sabia que seria ruim, como meu irmão havia me advertido, porém tinha certeza de que me divertiria. E foi o que aconteceu – o filme é tão tosco e surreal que é invariavelmente engraçado. Esqueça toda aquela melindragem da mídia brasileira, da Embratur e de outros babacas: é um filme ruim de terror porque é um filme ruim de terror, independentemente de denegrir ou não nosso Brasil varonil.
É ruim porque segue o que há de pior no subgênero de terror slasher: na primeira hora do filme não acontece nada, apenas somos apresentados aos personagens, babacas e tão estereotipados que você mal consegue distingui-los e nem sente falta quando um dele é morto – às vezes você até torce para que determinado babaca seja estripado logo e pare de estorvar; o roteiro tem mais buracos que um chocolate aerado, com erros de continuidade (não dá pra saber nem em que lugar do Brasil exatamente eles estão), de lógica (brasileiro que começa falando inglês de Tarzan e termina o filme quase um nativo ianque, vilão caricato com falas clichê que mata um comparsa sem quê nem por quê) e sequer consegue chocar [ainda que bem feitinho, com uma produção correta, as cenas de suspense e horror são pífias e tudo ainda culmina numa perseguição chatíssima sob a água (!)].
[Aliás brasileiro precisa se decidir se tem orgulho só em época de Copa, Olimpíada, filme ruim e episódio d'Os Simpsons, está ficando ridículo. Nossos patrícios ficam o ano inteiro falando mal dos conterrâneos, do país, da situação, dos políticos, do tal “espírito malandro” – mas, num arroubo de “do meu país só eu posso falar mal”, surge da tumba esse patriotismo bobo e essa indignação torpe à movimento “Cansei”. Você viu algum australiano reclamando de Wolf Creek ou dos rednecks americanos protestanto contra todos os filmes em que aparecem como jecas psicóticos racistas, desde Amargo Pesadelo e Texas Chainsaw Massacre, nos 1970s?]
Quanto ao Brasil mostrado no filme: olha, exceto pelo tráfico de órgãos (do qual nada sei, mas, vai saber, né), é mais ou menos aquilo mesmo. As mulheres daqui estão sempre de graça pros gringos, quando você precisa de polícia na “quebrada”, nunca consegue ajuda, os motoristas de ônibus cariocas correm demais e são imprudentes, os gringos são bobos, se entopem de caipirinha e levam golpe de prostitutas, coisas assim. Nada grave. Mas ainda prefiro a jibóia engolindo o Bart n’Os Simpsons.
Enfim vale para dar risadas, especialmente pelo final, no qual toca uma música hilariante (durante o filme rola pancadão carioca e Marcelo D2).
Mr. Vingança (Coréia do Sul - 2002)
Título original: Boksuneun Naui Geot/ Sympathy For Mr. Vengeance
Direção: Chan-wook Park
Elenco: ninguém relevante
"Eu sei que você é uma boa pessoa... por isso sabe que te tenho que te matar, não sabe?"
Em 2007, com atraso de cinco anos, o que mostra, mais uma vez, o amadorismo das distribuidoras brasileiras, Mr. Vingança, primeira parte da trilogia sobre vingança do diretor sul-coreano Chan-wook Park (os seguintes são Oldboy e Lady Vingança), foi lançada por aqui.
Este é o filme mais cru, chocante e angustiante da série. E não é pouco para um tríptico cheio de sessões de tortura, vendettas impiedosas e lutas sangrentas, tudo com poucos e inesquecíveis diálogos, trilhas arrebatadoras e imagens deslumbrantes.
O minimalismo (diálogos e canções esparsas) se une ao preciocismo (planos-seqüência meticulosamente engendrados) para construir uma obra deprimente e trágica.
Dois "Senhores Vingança" dividem o filme nos destinos que se cruzam. Ninguém é culpado, ninguém é inocente. Ambos são boas pessoas que, vítimas das mudanças, acabam se opondo um ao outro por não conseguirem lidar com a perda do que têm de mais importante na vida.
Mais que as intensas seqüências de tortura, facadas, profanação de cadáveres e assassinatos, o que mais deprime no filme, como nos dois seguintes da série (que tratam do mesmo tem, mas não têm relação direta entre si), é o final inexorável, porém imprevisível.
Não vou adiantar sobre a trama, pois as surpresas acontecem durante todo o filme. Saiba apenas que é um filme muito forte (o mais forte que já vi), que vai te fazer mal pela história; porém a trilogia inteira é obrigatória para cinéfilos.
Você vai pensar como o destino (contingências + escolhas) pode levar pessoas ingênuas e boas a fazer coisas horríveis. Esta é a história da humanidade.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
O segredo de seus olhos (Argentina - 2009)
Título Original: El Secreto de Sus Ojos
Direção: Juan José Campanella
Elenco: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Guillermo Francella
Prêmios: Oscar de melhor filme estrangeiro 2010
Enfim consegui assistir ao comentadíssimo "O segredo de seus olhos", filme argentino vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano. Mais uma vez ressalto que não sou crítica de cinema e por isso levo o texto a um tom mais pessoal.
O foco da trama está em Espósito, um oficial de justiça aposentando que passou os últimos 25 anos de sua vida assombrado por um caso de assassinato e estupro ocorrido na década de 1970 e, por esse motivo, pretende escrever um romance baseado nos fatos ocorridos na época. A tentativa de organizar os acontecimentos de forma a compreender como eles influenciaram sua vida: envolve paixões, ideologias, justiça e uma lacuna a qual Espósito tenta preencher a todo custo durante as duas horas de filme.
A certa altura de "O segredo de seus olhos", o marido da vítima, que acaba por criar uma relação de confiança com Espósito, revela que não queria a pena de morte para o assassino de sua mulher, preferindo a prisão perpétua para ter certeza de que ele teria uma vida inteira vazia. A idéia de vida vazia se torna uma das chaves da trama, já que podemos concluir que todos os personagens viveram 25 anos vazios, assim como o marido previra para o assassino de sua esposa.
Ao resgatar seu passado, Espósito se vê novamente diante de sua antiga paixão e chefe, a promotora Irene, o que o leva a resgatar outro ponto de sua história, o caso de amor correspondido, mas não concretizado, que obviamente levaria qualquer um a pensar se sua vida vazia poderia ter sido de outra forma.
Ainda que repleto de personagens ricos que, diga-se de passagem, poderiam ser mais desenvolvidos, o charme do filme está nos pequenos detalhes como a letra A que falta na máquina de escrever, olhares em fotografias, a mania de trancar ou não a porta de Irene, um retrato virado para baixo e um adeus que não aconteceria na realidade. Destaque para o personagem Pablo Sandoval, inseparável parceiro de Espósito, alcoolatra e responsável pelas cenas cômicas e também pelos diálogos mais profundos do filme, interpretado por Guilhermo Francella de forma sublime.
Memorável.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Abraços Partidos (Espanha - 2009)
Título Original: Los abrazos rotos
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas, Rúben Ochandiano, Lola Dueñas
É certo que Penélope Cruz e Pedro Almodóvar nasceram um para o outro. Em "Abraços Partidos" isso fica evidente, pois o filme não teria razão de existir sem a musa Lena, interpretada por Penélope de forma envolvente, como sempre.
A trama central do filme gira em torno de um cineasta que, após perder a visão, assume o pseudônimo Harry Caine, se dedicando a escrever roteiros. Seu passado vem à tona quando um famoso empresário morre e seu filho o procura para escrever um roteiro sobre a mágoa que guarda do pai. O passado em questão é o último filme do cineasta, ainda como Mateo Blanco, que teve como sua protagonista Lena, amante do empresário que obsessivamente resolveu produzir o filme e encarregou seu filho de filmar Lena durante toda a filmagem.
De fato, Almodóvar criou Lena para que Penélope Cruz pudesse brilhar, pois todas suas cenas foram feitas para fascinar e mostrar o fascínio que uma mulher pode causar (algo típico de Almodóvar). Ela brinca com a câmera, brilha chorando, fumando, como Marylin ou Audrey Hepburn. É uma mulher real que encanta e ponto. Assim é o personagem criado para Penélope, por ser Penélope, e não é a toa que o cineasta se apaixona pela atriz e por sua imagem.
Penélope ama as câmeras. As câmeras amam Penélope. Isso resume tudo.
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo, José Luis Gómez, Tamar Novas, Rúben Ochandiano, Lola Dueñas
É certo que Penélope Cruz e Pedro Almodóvar nasceram um para o outro. Em "Abraços Partidos" isso fica evidente, pois o filme não teria razão de existir sem a musa Lena, interpretada por Penélope de forma envolvente, como sempre.
A trama central do filme gira em torno de um cineasta que, após perder a visão, assume o pseudônimo Harry Caine, se dedicando a escrever roteiros. Seu passado vem à tona quando um famoso empresário morre e seu filho o procura para escrever um roteiro sobre a mágoa que guarda do pai. O passado em questão é o último filme do cineasta, ainda como Mateo Blanco, que teve como sua protagonista Lena, amante do empresário que obsessivamente resolveu produzir o filme e encarregou seu filho de filmar Lena durante toda a filmagem.
De fato, Almodóvar criou Lena para que Penélope Cruz pudesse brilhar, pois todas suas cenas foram feitas para fascinar e mostrar o fascínio que uma mulher pode causar (algo típico de Almodóvar). Ela brinca com a câmera, brilha chorando, fumando, como Marylin ou Audrey Hepburn. É uma mulher real que encanta e ponto. Assim é o personagem criado para Penélope, por ser Penélope, e não é a toa que o cineasta se apaixona pela atriz e por sua imagem.
Penélope ama as câmeras. As câmeras amam Penélope. Isso resume tudo.
Assinar:
Postagens (Atom)




